Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista • VUNESP 2021
Indique a palavra em língua inglesa à qual o falante brasileiro, por influência da soletração e do fato de que palavras em português não tendem a terminar em grupos consonantais, poderá erroneamente adicionar uma vogal final:
number.
activity.
forgiven.
context.
instruction.
📊 Revisão da questão
VUNESP • 2021 • ESFCEX • Magistério — Inglês • Questão 41 • Gabarito D
🔎 Leitura orientada — Epêntese vocálica e grupos consonantais finais
O comando solicita a identificação de uma palavra inglesa à qual um falante brasileiro poderá acrescentar indevidamente uma vogal final, em razão da influência da soletração e das diferenças entre os padrões fonotáticos do português brasileiro e do inglês.
Context → /ˈkɒntekst/ (BrE) • /ˈkɑːntekst/ (AmE)
Tradução: “Contexto”.
A palavra termina foneticamente na sequência consonantal /kst/. Na pronúncia inglesa esperada, não há vogal após /t/.
Em português brasileiro, sequências consonantais finais como /kst/ não correspondem ao padrão silábico mais comum. Ao pronunciar uma palavra inglesa com esse tipo de terminação, alguns aprendizes podem inserir uma vogal de apoio, frequentemente próxima de [i], depois da consoante final.
Esse processo é conhecido como epêntese vocálica. Quando a vogal é acrescentada especificamente ao final da palavra, também se pode empregar o termo paragoge, que descreve essa posição de inserção.
O inglês admite grupos consonantais complexos no final das palavras. O português brasileiro apresenta restrições diferentes, o que pode favorecer a inserção de uma vogal durante a aprendizagem da pronúncia inglesa.
O grupo consonantal é produzido sem vogal adicional após /t/.
Representação esquemática de uma possível inserção vocálica final, não da pronúncia-padrão.
↓
VOWEL INSERTION
A palavra apresenta três consoantes consecutivas na posição final.
O aprendiz pode acrescentar uma vogal de apoio após a consoante final, por influência de padrões de sua língua materna.
A pronúncia-alvo mantém o grupo consonantal final sem acrescentar uma nova sílaba.
Não apresenta o grupo consonantal final complexo da palavra-alvo.
A palavra já termina em som vocálico.
Termina em uma consoante nasal, sem sequência final /kst/.
Grupo consonantal final complexo.
Termina em consoante nasal, não em grupo final /kst/.
A epêntese vocálica é uma possibilidade na produção de aprendizes brasileiros de inglês. Sua ocorrência depende de fatores como experiência linguística, variedade de português, contexto fonético e grau de familiaridade com o inglês.
A afirmação de que palavras portuguesas não tendem a terminar em grupos consonantais deve ser compreendida como uma generalização fonotática, e não como uma proibição absoluta de qualquer sequência consonantal final.
Na Q41: a sequência /kst/ torna context a alternativa mais claramente associada ao fenômeno solicitado.
↓
FINAL CONSONANT CLUSTER /kst/
↓
POSSIBLE VOWEL INSERTION
A alternativa D apresenta a estrutura fonológica que favorece a interferência descrita.
⚙️ Mecanismo fonológico decisivo
Fenômeno: Vowel Epenthesis — Word-Final Consonant Clusters in Brazilian English Pronunciation.
Operação 01 — Identificação: reconhecer o grupo consonantal final /kst/ em context.
Operação 02 — Interpretação: relacionar a dificuldade articulatória à influência dos padrões silábicos do português brasileiro.
Operação 03 — Discriminação: distinguir a pronúncia inglesa esperada de uma possível realização com vogal adicional.
Validação: a alternativa D contém a palavra com grupo consonantal final complexo compatível com a interferência descrita.
Theme 47 — Pronunciation: competência predominante. A questão exige identificar uma estrutura fonética que pode favorecer a inserção de vogal por interferência da língua materna.
Não é Theme 21: não há avaliação de tempos verbais. O objeto da questão é a estrutura sonora da palavra e sua possível adaptação fonológica por aprendizes brasileiros.
🟢 GABARITO VERDÃO — D
Context.
“Contexto.”
A sequência consonantal final /kst/ pode favorecer a inserção indevida de uma vogal de apoio por falantes brasileiros de inglês.
🧠 Régua das 7 Inteligências Cognitivas
01 — Comando: identificar a palavra à qual um falante brasileiro poderá acrescentar indevidamente uma vogal final.
02 — Gatilho: reconhecer a referência à soletração e às restrições sobre grupos consonantais finais no português.
03 — Operação: analisar a estrutura fonética final das palavras apresentadas.
04 — Evidência: identificar /kst/ como grupo consonantal final em context.
05 — Discriminação: distinguir grupos consonantais complexos de terminações vocálicas ou consonantais simples.
06 — Validação: reconhecer a possibilidade de epêntese vocálica por interferência fonológica do português brasileiro.
07 — Decisão: selecionar D — Context.
📝 Análise das alternativas (Mapeamento de Restrições Fonotáticas e Epêntese Vocálica)
A) “Number.”
Distrator B3GE™: 08 — Falsa Associação.
Tradução: “Número.”
Pronúncia: /ˈnʌmbə/ (BrE) ou /ˈnʌmbɚ/ (AmE).
Análise técnica: a palavra number apresenta uma terminação diferente daquela destacada pelo comando. No inglês britânico não rótico, termina em som vocálico /ə/; no inglês americano rótico, apresenta uma vogal rótica /ɚ/.
Embora a grafia termine com a letra r, não há um grupo consonantal final complexo comparável a /kst/, presente em context.
“Number” → /ˈnʌmbə/
A grafia final -er não corresponde a um grupo de três consoantes finais na pronúncia.
Diagnóstico: a presença de uma consoante na grafia final não equivale à estrutura fonotática complexa solicitada.
B) “Activity.”
Distrator B3GE™: 08 — Falsa Associação.
Tradução: “Atividade.”
Pronúncia: /ækˈtɪvəti/.
Análise técnica: a palavra activity termina em um som vocálico, representado por /i/. Portanto, não apresenta um grupo consonantal final que favoreça a inserção de uma vogal de apoio após a última consoante.
A existência de consoantes no interior da palavra não atende ao critério do comando, que se refere especificamente à possibilidade de acrescentar uma vogal final.
“Activity” → /ækˈtɪvəti/
A última unidade sonora é vocálica. A palavra não termina em uma sequência consonantal como /kst/.
Diagnóstico: apresenta uma terminação vocálica, incompatível com o mecanismo específico descrito na questão.
C) “Forgiven.”
Distrator B3GE™: 08 — Falsa Associação.
Tradução: “Perdoado / perdoada.”
Pronúncia: /fəˈɡɪvən/ (BrE) ou /fərˈɡɪvən/ (AmE).
Análise técnica: forgiven termina na consoante nasal /n/, precedida por uma vogal reduzida /ə/. Não apresenta, portanto, uma sequência consonantal final complexa equivalente à de context.
É possível que aprendizes apresentem diferentes dificuldades com vogais reduzidas ou consoantes finais. Entretanto, essas possibilidades gerais não tornam a palavra a resposta mais adequada ao fenômeno específico descrito pela VUNESP.
“Forgiven” → /fəˈɡɪvən/
A sequência final /ən/ apresenta uma vogal seguida de uma consoante nasal, não um grupo de consoantes finais.
Diagnóstico: associa uma terminação consonantal simples à dificuldade provocada por grupos consonantais finais complexos.
D) “Context.” ✓
Classificação B3GE™: Correta — Final Consonant Cluster & Vowel Epenthesis.
Tradução: “Contexto.”
Pronúncia: /ˈkɒntekst/ (BrE) ou /ˈkɑːntekst/ (AmE).
Análise técnica: a palavra context apresenta a sequência consonantal final /kst/. Esse agrupamento pode representar uma dificuldade para falantes brasileiros, devido às diferenças entre as estruturas silábicas mais frequentes do português brasileiro e do inglês.
O aprendiz pode acrescentar uma vogal de apoio ao final da palavra, produzindo uma realização não esperada no padrão de pronúncia inglês. O fenômeno é denominado epêntese vocálica; quando a inserção ocorre após a última consoante da palavra, também pode ser descrito como paragoge.
Expected: “Context” → /ˈkɒntekst/
Pronúncia esperada: a palavra termina em /kst/, sem vogal adicional.
Possible learner production: final /kst/ → [ksti]
Representação esquemática de uma possível vogal inserida após /t/. Não constitui uma transcrição da pronúncia-padrão.
↓
FINAL /kst/
↓
POSSIBLE FINAL VOWEL INSERTION ✓
A dificuldade decorre da adaptação de uma sequência consonantal final a padrões fonotáticos mais familiares ao aprendiz.
Gabarito: D.
E) “Instruction.”
Distrator B3GE™: 08 — Falsa Associação.
Tradução: “Instrução.”
Pronúncia: /ɪnˈstrʌkʃən/.
Análise técnica: instruction contém grupos consonantais em outras posições da palavra, mas sua terminação fonética é /ʃən/, encerrada pela consoante nasal /n/.
O comando se refere à possibilidade de acrescentar uma vogal ao final de uma palavra devido à dificuldade com grupos consonantais nessa posição. A presença de encontros consonantais internos não satisfaz esse critério.
“Instruction” → /ɪnˈstrʌkʃən/
A presença de /str/ no interior da estrutura sonora não transforma a terminação /ən/ em um grupo consonantal final complexo.
Diagnóstico: confunde a existência de encontros consonantais na palavra com sua ocorrência específica na posição final.
Nota técnica do Engine: As alternativas A, B, C e E apresentam 08 — Falsa Associação, pois podem atrair o candidato por características gráficas ou fonéticas que não correspondem ao critério decisivo: um grupo consonantal complexo na posição final. A alternativa D apresenta a sequência /kst/, compatível com a possibilidade de epêntese vocálica final descrita no comando.
📌 Resumo B3GE™
Competência decisiva: identificar grupos consonantais finais que podem favorecer a inserção de vogais por interferência fonológica do português brasileiro.
Epêntese vocálica: inserção de uma vogal em uma estrutura fonológica.
Paragoge: inserção de um som no final de uma palavra; neste caso, uma vogal.
Context: /ˈkɒntekst/ — terminação /kst/.
Possível interferência: acrescentar uma vogal de apoio após a última consoante.
Regra prática: examine os sons finais da palavra, não apenas sua grafia, e identifique se há um grupo consonantal complexo.
Gabarito: D — Context.
🏷️ Classificação Final B3GE™
thematic: 🎓 ELT Methodology
theme: 47. Pronunciation (Stress, Intonation & Phonemic Symbols)
contentTopic: 11. Education
subtheme: Vowel Epenthesis — Brazilian Portuguese Interference in English Final Consonant Clusters